Aos amigos, aos que tem interesse em me especular e a quem se interessar, com prazer!

17/08/2017


Desde muito cedo aprendi a trabalhar. No início não era prazeroso, era necessidade mesmo. Minha mãe, lavadeira de roupa, meu pai, pedreiro, não tinham como nos proporcionar muita coisa, mas dentro do limite nunca nos deixou faltar roupa ou comida. Dois batalhadores que chamavam a atenção dos que viviam de especular a vida alheia. Era mais do que esforço para nos dar uma boa criação, era extinto, era amor.

Na minha adolescência pude ver o quão era difícil para os meus pais manter uma casa com três filhos vivendo de bicos, pois os dois não tinham carteira assinada, viviam de diárias. Tomei, então, a iniciativa de buscar trabalho, por volta dos 10 anos. Fui catar latinhas e papelão nas ruas, o que me garantia uns R$ 10 por semana. Era muito para quem tinha tão pouco e nascera em uma casa de taipa. Por sinal, foi no lixo que consegui o que é hoje meu principal instrumento de trabalho, um gravador de entrevistas. Talvez, fosse um prenúncio do que viria pela frente.

Depois disso, passei a vender produtos de limpeza de porta em porta, não demorou muito. Fui para as portas dos colégios do meu bairro vender cocada e balinhas. Peguei frete em porta de supermercado e ainda tentei fazer limpeza de matos em quintais com um amigo. O porte físico não deixou, era desgastante. Trabalhei como garçom em lanchonetes de bairro, em uma delas ganhava R$ 10 por final de semana.

Parti para as praias do litoral paraibano, onde vendi dindin, amendoim, ovo de codorna e, por final, picolé. Depois, já chegando aos 13 anos, descobri que tinha uma vocação, o rádio. Foi ao ingressar no ensino fundamental II que descobri meu talento, através de dois pais que considero para a minha profissão, o radialista Pedro Alves – então diretor da escola – e o estudante Claudio Costa, atual diretor de TV. Na escola foi criado um projeto chamado rádio escola, onde pude perceber meu verdadeiro rumo, não tinha mais dúvida.

A partir daí, foi uma carreira crescente. Fui “trabalhar” – entre aspas porque era mais voluntário que remunerado – em rádios de poste (algo comum na capital). Depois, ao conhecer o Poeta Pereirinha, parti para as ondas sonoras de rádios comunitárias, onde fazíamos programas matinais (de cantoria de viola) – nesse período consegui minha DRT (documento profissional) e agradeço a Jonildo Cavalcante pela grande força.

No entanto, ainda não dava para ter uma assinatura como profissional na carteira de trabalho e parti para outro ramo. Fui trabalhar como auxiliar de cozinha em um restaurante à beira mar. Cansado do desgaste que o trabalho proporcionava, que muitas das vezes entrava pela madrugada e eu acabava perdendo o último ônibus para casa e tinha que madrugar nas paradas de ônibus (e na ida ao trabalho tinha que pegar três coletivos), acabei tentando a vida na minha área, no rádio.

Espalhei currículos e fui chamado para o maior sistema de comunicação do estado, o Correio da Paraíba, mais precisamente para a 98 FM. Porém, a falta de experiência no rádio comercial e a pouca idade não me mantiveram por muito tempo na empresa. Passei pouco mais de um ano por lá. Poucos meses depois, ao viajar para Cuité – como fazia todos os anos – conheci a mais recente emissora da cidade, a 89 FM.

Em uma breve conversa com o seu diretor, Beto Batinga, fui logo chamado para um teste e fui contratado. A partir daí, todos sabem das minhas funções ocupadas na minha área no Curimataú, afinal, as redes sociais mostram diariamente e nunca foi escondido.

Sempre tive posições claras e nunca fiquei em cima do muro, embora que isso me custasse algo, como me custou recentemente. Nunca escondi de ninguém minhas origens, minhas funções e meus planos, confio e acredito muito nas pessoas, desde o mais recente amigo ao de longas datas. Quem me conhece sabe.

Meu profissionalismo fez eu chegar onde cheguei, galguei um caminho que não foi fácil, ocupei os espaços vazios e os conquistei. Gestores e amigos reconhecem minha capacidade profissional e se me contratam é porque reconhecem esse talento que Deus me concedeu.

Sempre fui correto, nunca precisei roubar para me dar bem, já passei dificuldades, até aqui mesmo em Cuité, que me entristece só em lembrar, por não ter emprego e confiar em algumas pessoas. Hoje, graças a Deus, tenho meu emprego, de onde tiro o sustento da minha casa e, vez ou outra, mando uma coisinha para mainha, que continua sendo a merendeira contratada de escola pública de João Pessoa – um dos empregos que conseguiu após sair da vida de diarista.

Moro em casa alugada e tenho um carro financiado, não tenho filhos porque vejo que ainda não tenho condições de tê-los. Quem não sonha em ser pai? Mas, minha responsabilidade mostra que não é o momento. Não nasci em berço de ouro, não sou rico e o que tenho é fruto do meu trabalho.
Acontece que, a política constrói e desfaz amizades. E eu fui vítima disso. Pessoas, tentando, através de mim, acertar outros alvos ou até mesmo a mim próprio – financiados por quem não aceita minha forma de pensar ou agir – estão tentando jogar meu nome na lama.

Fui caluniado nas redes sociais esta semana, numa tentativa de denegrir minha imagem, ao dizer que ganho “mais que um prefeito”, quem dera, e se fosse garanto que seria de forma honesta. Nunca ganhei dinheiro fácil nem fiz acordos espúrios.

Pegaram valores anuais de contratos que tenho, por meio do meu CNPJ, para prestar serviço de comunicação a algumas prefeituras e tentaram passa para a opinião pública como se fosse o meu salário integral por mês. Desses contratos, ainda tiro uma boa fatia – que não vou revelar o valor por ética – para a emissora onde faço um programa semanal em horário arrendado (pago).

Todo o meu trabalho é lícito, tenho mãos limpas e uma vida transparente. Todos sabem disso. Trabalho duro, acordo antes das seis da manhã e vou deitar depois das onze, quando minha esposa já está dormindo e não temos o prazer, muitas das vezes, de deitarmos juntos.

Trabalho de domingo a domingo, e, por isso, não tenho o prazer de estar junto dos meus pais, irmãos e sobrinhos sempre que sinto saudades ou em datas como o Natal, o dia das mães, dia dos pais, dentre outras. Minhas folgas são irregulares, assim como meus momentos de lazer com a minha família.

Não tenho dia nem hora para trabalhar. A exemplo da virada do ano de 2016 para 2017 que passei trabalhando e na manhã do dia 1º quase capotei o meu carro por um descuido em uma curva. Isso ninguém vê, nem publiciza.

Contudo, amigos, não vou mais me alongar. Me despeço com tristeza por ver pessoas que antes se diziam ser meus amigos me apunhalando pelas costas. A vida tem dessas coisas e da traição nem Jesus escapou. A eles, desejo sorte, saúde e felicidade. Que Deus possa encher seus corações de amor ao próximo.

Aos que me ligaram prestando solidariedade, meu muito obrigado!

Sem mais para o momento, são essas as minhas palavras.

Flávio Rodrigues Fernandes
Radialista – DRT 4.309 – STERT-PB

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