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Opinião: O rádio não deveria perder espaço para internet, mas vai perder!

21/02/2018



Como radialista apaixonado pelo rádio, fico triste ao ver o rádio perdendo espaços que jamais deveria perder. A internet hoje noticia o que o rádio, pelos menos na Paraíba, deixou de noticiar.

Lembro que quando eu era menino na Capital e tinha notícias das chuvas ligava o rádio para saber quais cidades tinham sido contempladas, como estavam os açudes. Repórteres espalhados por todo o estado noticiavam o fenômeno.

Lembro que em um dos preferidos radiofônicos, o Correio Debate – encabeçado por Gutemberg Cardoso – quando noticiava estragos causados pelas enchentes em alguns municípios trazia junto com a notícia a ‘Súplica do Cearense’, na voz de Fagner.

Ficava temeroso com medo do que podia causar nas demais cidades da Paraíba. Gutemberg e seu time descreviam com realismo as chuvas e seus efeitos Paraíba à fora. Deixava seus ouvintes com medo e de cabelos em pé. Essa é a magia do rádio.

Hoje, mesmo morando no interior do estado e com tantos recursos para saber das notícias, entre eles a internet, volto a ligar o rádio para ouvir com detalhes e veracidade as notícias de chuvas. Ainda sou do tempo que acredito mais no rádio do que num vídeo da internet.

Infelizmente, ao sintonizar – por meio da internet – as rádios da Capital, que são os meios com mais cobertura a nível estadual, não escuto mais falar sobre o que se esperava há tantos anos: a chuva. A política na Paraíba sobrepôs à beleza e as riquezas que a chuva traz, é triste, mas é a realidade.

Nas escaladas dos radiofônicos, há só um tema: política, política e mais política. Muitas delas, mais politicagem do que política. Vai desde um rame-rame de uma Câmara Municipal a uma especulação eterna e repetitiva sobre quem disputa ou não tal eleição.

O rádio da Capital, que encabeça redes para todo o estado, fala mais para João Pessoa do que para o restante da Paraíba. Por outro lado, donos de rádios interioranas para não terem custo com pessoal preferem reproduzir o conteúdo que vem do litoral, com assuntos que muitas das vezes nem interessam aos seus ouvintes.

Falta mais amor ao rádio e menos apego ao dinheiro. É preciso ressuscitar o nosso rádio, antes que morra de uma vez e perca espaço para o seu maior concorrente na atualidade, a internet. Continuando assim, seus dias podem estar contados, infelizmente.

Flávio Fernandes

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